terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Prove me wrong

E é essa mania de estar certa em relação a tudo, complexo de superioridade ou apenas assertividade dos pensamentos. Não  sei explicar mas gosto de certezas, convicções, assevero que no que me diz respeito, tudo sei.
Abomino a mentira, a falta de lealdade, a hipocrisia e decepciono-me constantemente, no entanto, a cada pessoa que passa na minha vida tomo-lhe sempre o melhor, acredito que todas as pessoas são boas.
Sou pela segunda oportunidade, creio que ninguém é infalível, o erro comete-se por vezes inadvertidamente, outras nem por isso mas tenho a capacidade de perdoar se a justificação for plausível.
Mas reitero, estou convicta de que tenho razão quando amo, quando acredito, quando falo e até quando me calo. Neste momento, só queria estar enganada.

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Analepse

Havia tanto tempo, tanto que pensava já ter esquecido o tempo em que amava o meu amante, tanto que deixaste de me entrar na cabeça e nos sonhos e comecei a ter sonhos plausíveis de serem realidade, tanto que já não sentia nada, nem amor, nem ódio, sentia com lucidez e sem remorso. 

Havia tanto tempo que deixei de ter saudades, deixei de me afundar, pisei chão seguro e segui em linha recta, deixei ilusões e desilusões para trás, havia tanto tempo que me sentia feliz outra vez.

Havia tanto tempo e um vislumbre de ti atirou-me para trás no tempo, não foi saudade o que senti, nem sei o que foi, só sei que me entrou no corpo e na cabeça, foi um formigueiro, um devaneio, vontade de gritar, sussurrar o quanto te odeio, um assomo do que fui enquanto fui de ti.

E tu ali a olhar,  tremeste, trespassaste-me e nem hesitaste, sei bem que quiseste mendigar o meu afecto, pegar-me na mão, dar-me um safanão mas não para me acordar, somente para fazer mossa, para agudizar a dor que havia tanto tempo deixei de sentir. Guardo-te igual, cheio de amor doentio mas cobarde e não se ama a medo, sei que se cair tu não voltas atrás para me levantar, assim, fiz que não te vi para não me lembrar de ti, nem desta dor que por momentos voltou e havia tanto tempo que o tempo enterrou...

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Home


Ainda aqui estou, não sei bem o que espero, tenho este hábito estranho de esperar mesmo com a certeza de nada de novo. 
Ainda aqui estou, mesmo depois da mentira, mentira atrás de mentira, eu odeio mentiras, nada de novo, não sei porque ainda aqui estou.
Ainda aqui estou, longe de mim, quase tão longe de mim quanto de ti, na verdade nem te quero por perto, não quando não há nada de novo que não seja uma mentira mas por enquanto ainda aqui estou.
Ainda aqui estou, vou continuar por aqui até que entendas o quanto estou longe de ti, de mim, de nós, até que entendas que odeio mentiras e que pares de as contar, até que aconteça algo de novo ou me canse de esperar. 
Ainda aqui estou, de corpo porque a alma já partiu há tempo demais mas o corpo esse teima em permanecer.

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Relieve



 

O braço que nos separa é a angústia. Revolve-me por dentro, transtorna-me as entranhas. Tenho dores, dói-me o corpo, a cabeça, a barriga. Cabe-te arrancar esta angústia de mim, a ferros, com as mãos, esventra-me se for preciso, no fundo, só preciso de uma palavra.

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

As I am

Encerro neste espaço todas as palavras que te quero dizer mas não digo porque te parecem lamechas. Vou debitando letras e pontos,juntando em frases todos os sonhos que tenho contigo e nem sequer sabes que existo aqui. Odeio esse olhar patético quando te leio Neruda que tanto amo, quase tanto como a ti, o ar jocoso com que repetes a última frase de qualquer desses poemas. Odeio a ironia nos teus gestos quando me percebes a inteligência em qualquer conversa banal, é sentir que no fundo não me conheces porque se conhecesses não me zombarias assim. Deambulamos juntos nos sonhos mas acabamos por divergir no caminho que a eles nos poderia levar, é nesses momentos que ponho em causa a nossa existência e a simultaneidade do nosso amor, evidentemente há uma falta de constância em nós dois e permito-me perguntar onde isso nos levará. Tenho a certeza que nunca me conhecerás de verdade porque quando me dou a conhecer tu finges que não ouves, surdez da alma que me trespassa. Tudo passa, menos o presente que desejo como futuro, tudo passa, menos esta vontade de ficar, tudo passa, menos este amor absurdo e sem sentido que tenho por ti, tudo passa, um dia também hei-de passar.


quarta-feira, 25 de junho de 2014

Chocolat

 Na verdade não sei o que gosto mais em ti, se esses arrufos de amor quando me sentes a falta, se esses traços vincados de pirralha mimada com todo o saber na ponta da língua. Para ti não há meio termo, ora me abraças sofregamente como se nada mais houvesse que não eu, ora me gritas o que não gostas com as essas mãos pequenas mas atrevidas no ar ou na cintura. Personalidade enorme num corpo pequeno, vincada como se uma vida inteira se tratasse, rebelde e insolente mas de sorriso envergonhado quando percebe o que sente. Admito agora que para ti há um meio termo, quando me pedes o aconchego da barriga na hora de dormir  e me dizes invariavelmente "não é frio, não é quente, é morninho com chocolate!" e eu te respondo sorridente "como o meu amor por ti!"

quarta-feira, 4 de junho de 2014

Love

E hoje, enquanto te adormeço, torço por ti, reitero todos os meus desejos de que sigas feliz como só tu no teu pequeno mundo consegues ser. Sinto-me tão pequena enquanto te desenho os lábios perfeitos e não me resigno a esse Deus em quem não acredito e ao qual não rezo. Desisti há muito de tentar perceber porquê a ti e não a mim, apenas razões estúpidas poderiam ser uma razão. Mas não desisto de ti nunca, com todas as tuas maleitas e imperfeições que fazem de ti o ser mais perfeito do meu mundo. Curo-te as feridas, encho-te de colo e de mimo e embalo-te no meu regaço e amo-te cada vez mais e de cada vez que me enches de dores e de cada vez que te salvo a vida. Tenho um buraco no peito, sinto-o fechar só de olhar o sorriso que brilha no teu rosto enquanto o sono te toma e me dizes "gosto tanto de ti". Sabes que podes fechar os olhos que estarei sempre ali para afugentar todos os teus fantasmas e colorir os teus monstros, sei que acreditas em mim, palavra por palavra, em todas as promessas que te juro e que fechas os olhos e que adormeces sempre feliz.