quinta-feira, 1 de maio de 2014

Deception

Ás vezes, de uma forma doce sentes o amargo da rejeição, partilhas o que sentes porque te sentes numa clausura sem fronteira confinada a algo que te deixa espaço demais. Tens de dizer o que sentes, o coração sai-te pela boca mas tropeças nas palavras porque desafias a estabilidade do pouco que nem é teu. Queres tanto isso, queres tanto o pouco, vives a vida a precisar de alguém muito mais do que esse alguém precisa de ti, deixas que te defina os limites quando os limites são teus. 
Só tu sabes onde acabas.
Acabas por dizer, por medo ou por coragem mas acabas a dizer que se te deixasse, ai se te deixasse, sentir-te-ias pequena ao pé desse alguém, de tão grande que é. Queres dizer "amo-te" e aguardá-lo de volta mas dizes apenas "gosto de ti" porque não te custa dizer amo-te, custa que te devolva "não te amo" ou "nem sequer gosto de ti".
Dizes que se não te amar não faz mal, assim não tropeças mais, assim continuas caminho, arrepias atalhos à procura de outro ser ou apenas de seres. Assim já podes adormecer, desprovida de sono mas cheia de sonhos. Assim páras de imaginar, assim páras para adormecer, contudo, para adormeceres lambes as lágrimas da decepção. 
Esqueceste que só tu sabes onde acabas.

Rain



Odeio o vento que me tolda o pensamento, leva-me as palavras, as doces pelo menos... Prefiro a chuva, nela me aninho e animo, salto nas poças e lambo os pingos, sacudo os cabelos enroscados de água. Visto-me de calças velhas, camisola amarrotada e livro-me dos sapatos, aguardo debaixo de uma nuvem negra, espero a chuva que desaba e me arrebata, nela me encontro e me encho de palavras e coragem, de punhos erguidos grito tudo o que sinto e lavo a alma e o pensamento. A amargura arrasta-se nos riachos efémeros que apenas persistem enquanto chover, tal como as minhas palavras perdurarão enquanto a chuva cair ou o silêncio as corroer.

quarta-feira, 23 de abril de 2014

Existence

 


Hoje o problema não é agir, é interagir.
Hoje o problema não é existir, é coexistir.
Hoje o problema não é estar, é permanecer.
Hoje o problema não é viver, é persistir.
Hoje desaparecia, se pudesse desaparecia.











sexta-feira, 4 de abril de 2014

Fade

Foi sem querer que pus a morte em mim, foi por querer demais ou por nada querer, não sei porque foi mas sei que foi sem querer. Pus a morte em mim por querer silêncio, por não saber sofrer ou até por me sofreres e as tuas dores me doerem demais. Eu pus a morte em mim, sem razão, sem pensar, apenas um desejoso de descansar dessa dor consentida que é amar. Pus a morte em mim e não me arrependi, quebrei-me de certezas e apaguei que pus a morte em mim pois não a quero em ti e foi em ti que vi, que pus a morte em mim.

segunda-feira, 31 de março de 2014

Sheep

Apaixonei-me por ti uma noite de Janeiro, assim... sem dares por nada e sem te conhecer, deixei-me levar pelo teu sorriso. E nem aquele chapéuzinho ridículo que usavas me impediu de me apaixonar por ti. 
Ouvia-te sempre pelo canto do olho e sorria para dentro, assim... sem ninguém ver. E nem as piadas idiotas que dizias me impediram de me apaixonar por ti.
E seguia-te por onde me era permitido e tudo o que dizias imaginava que era eu, era eu nas tuas palavras e chorava quando eram cruéis e julgava-me assim tua sem sequer saberes que gostava de ti.
E eras tão fútil,  tão triste sempre a rir, sempre atrás das outras ovelhas e a julgares que eras o cão mas não, eras apenas mais uma e eu sabia... mas mesmo assim gostava de ti.
Até ao dia que me sorriste e me viste por trás daquele chapéuzinho ridículo, saíste do rebanho e por uns tempos achei que havia um final feliz para ti, até ao dia que te entendi.
Nunca serás mais que aquilo que sempre foste, porque limitas a tua capacidade de sonhar ao tamanho do teu rebanho, qual rebanho? esse rebanho que nem é teu! E fui deixando de te amar e foi simples e se sempre me custou deixar de gostar de alguém, de ti não. Quem vê o mundo tão pequenino nunca poderá crescer, nunca sairá do rebanho, nunca será cão! Nunca serás cão!

quinta-feira, 16 de maio de 2013

segunda-feira, 11 de março de 2013

Silence

Os dias em que não queres dizer nada ou que nada tens para dizer, em que se acabam as palavras e se contam os minutos, dias tristes, apáticos que por palavras ditas perdes a vontade de falar. É desistires, é perderes a capacidade de ressuscitar de todas as desilusões, é deambulares sentidos e perceberes que não podes ser salvo porque não te queres salvar, apenas queres ser consertado.
Os dias em que perdes o dom da palavra, em que não proferes nada nem que seja da boca para fora, contra ti ou contra os outros sem pensar em consequências apenas para te sentires dono da verdade. É a abstinência do ser, é o medo de perder, é ficar no meio do nada sem nada para fazer, é segurares as palavras como se de uma bomba se tratassem e esperares que rebentem dentro de ti porque és senhor da tua razão e assim conténs a emoção, assim seguras a lágrima que teima em querer saltar e só por isso, é melhor não falar.