segunda-feira, 31 de março de 2014

Sheep

Apaixonei-me por ti uma noite de Janeiro, assim... sem dares por nada e sem te conhecer, deixei-me levar pelo teu sorriso. E nem aquele chapéuzinho ridículo que usavas me impediu de me apaixonar por ti. 
Ouvia-te sempre pelo canto do olho e sorria para dentro, assim... sem ninguém ver. E nem as piadas idiotas que dizias me impediram de me apaixonar por ti.
E seguia-te por onde me era permitido e tudo o que dizias imaginava que era eu, era eu nas tuas palavras e chorava quando eram cruéis e julgava-me assim tua sem sequer saberes que gostava de ti.
E eras tão fútil,  tão triste sempre a rir, sempre atrás das outras ovelhas e a julgares que eras o cão mas não, eras apenas mais uma e eu sabia... mas mesmo assim gostava de ti.
Até ao dia que me sorriste e me viste por trás daquele chapéuzinho ridículo, saíste do rebanho e por uns tempos achei que havia um final feliz para ti, até ao dia que te entendi.
Nunca serás mais que aquilo que sempre foste, porque limitas a tua capacidade de sonhar ao tamanho do teu rebanho, qual rebanho? esse rebanho que nem é teu! E fui deixando de te amar e foi simples e se sempre me custou deixar de gostar de alguém, de ti não. Quem vê o mundo tão pequenino nunca poderá crescer, nunca sairá do rebanho, nunca será cão! Nunca serás cão!

quinta-feira, 16 de maio de 2013

segunda-feira, 11 de março de 2013

Silence

Os dias em que não queres dizer nada ou que nada tens para dizer, em que se acabam as palavras e se contam os minutos, dias tristes, apáticos que por palavras ditas perdes a vontade de falar. É desistires, é perderes a capacidade de ressuscitar de todas as desilusões, é deambulares sentidos e perceberes que não podes ser salvo porque não te queres salvar, apenas queres ser consertado.
Os dias em que perdes o dom da palavra, em que não proferes nada nem que seja da boca para fora, contra ti ou contra os outros sem pensar em consequências apenas para te sentires dono da verdade. É a abstinência do ser, é o medo de perder, é ficar no meio do nada sem nada para fazer, é segurares as palavras como se de uma bomba se tratassem e esperares que rebentem dentro de ti porque és senhor da tua razão e assim conténs a emoção, assim seguras a lágrima que teima em querer saltar e só por isso, é melhor não falar.

 

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Rage

E deixaste-me ir e por muito tempo, demasiado talvez, não me perdeste mas deixaste-me ir. Tentei as palavras e elas não funcionavam porque tu não as ouves, entendes mas não as ouves e porque demasiado tempo tentei escrevê-las mas tu não as ouves, nem que as gritasse, tu não as ouves. O silêncio é egoísmo, não revela nada sempre odiei o silêncio mas é a minha resposta agora, é sentires na pele o silêncio em que me deixaste. Agora já sabes, agora que já me perdeste, agora que já não escrevo nada, agora não quero perder-me em mais tempo. Preferiste a raiva durante tanto tempo que me esqueci como era o teu abraço, como amava o teu sorriso, agora já nem consigo ver-me nos teus olhos. Não te permito mais raiva, não me permito essa raiva, não me permito sentir mais nada, nem mágoa.

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Oblivious


Devia procurar o óbvio, as coisas simples mas tenho uma tendência inata para complicar, em alguns momentos sinto que por mais explicações que invente serei sempre ignorante!
Devia escrever os meus pensamentos a branco, seriam muito mais fáceis de interpretar...

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Lie to me


Ser irremediavelmente feliz, é o desejo de tanta gente que depois apenas pasma. "Ah, pois, eu quero é ser feliz!" E depois nem sabem o que isso significa. Eu não sou feliz, prefiro ser irremediavelmente parva porque no meio da minha parvoíce uns dias há lágrimas noutros felicidade genuína, não dessa inventada nos contos de fadas ou estórias da carochinha. A bom ver, quem é que vive feliz para sempre? Só se for o gato das botas porque é um gato e os gatos safam-se sempre, ou pelo menos, safam-se mais seis vezes que o resto da malta e depois tem umas botas, qual é o gato que tem umas botas? Felicidade acrescida. 
Escolho ser irremediavelmente parva, escolho ter momentos de alegria insana, escolho as lágrimas que me lavam a alma ou, no mínimo, a cara, escolho ter filhos imperfeitos que fazem birras quando lhes apetece, escolho os amigos que quero, prefiro os parvos que tal como eu não querem ser hipocritamente felizes ou, pelo menos, não me esfregam isso na cara. Escolho ser assim e há quem não goste. Que sejam felizes!

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

...de nada

Dou-te um pouco mais de mim e de mim restará nada, o que adianta dar-te tudo quando tudo é quase nada. 
Digo-te um pouco do que sou mas se não queres saber quem sou de que adianta saberes tudo se em troca não sei nada. 
Dá-me um pouco mais de nada, que eu de ti espero tudo e espero aquilo que não se espera de ninguém porque já ninguém dá nada.
Visto-me de nada, do nada que me dás e sinto-me nua mas se nua quero estar, dos teus braços me vestir e sentir que tenho nada.
E de repente, sem razão aparente aquela lembrança que assoma a memória e sorrio porque não preciso de mais nada!